Botafogo 2026: Entre Lesões e Carências
O Glorioso enfrenta um desafio mais imediato e estrutural: um elenco curto, assolado por lesões e com carências críticas em setores vitais
Glauber Bertagna
Colunista Olheiro Certo
O Botafogo inicia 2026 em uma encruzilhada estratégica. Diferente de seu rival Flamengo, que sofre com o excesso de veteranos, o Glorioso enfrenta um desafio mais imediato e estrutural: um elenco curto, assolado por lesões e com carências críticas em setores vitais. Para o Alvinegro, 2026 não é apenas um ano de manutenção, mas de reconstrução cirúrgica para evitar que o potencial técnico seja sufocado pela fragilidade do plantel. E vale citar, com pouco dinheiro para investir, pois o time está com dívidas altas e até mesmo um transferban.
1. O Raio-X das Posições: Emergência e Renovação
A Crise sob as Traves
A Situação: O gol é hoje o maior ponto de interrogação. Com o experiente Neto (36) lesionado e sem previsão de retorno, a responsabilidade recaiu sobre Léo Linck (24). Embora promissor, Linck tem oscilado e demonstrado que a pressão de ser o "número 1" solitário pode ser precoce.
O Diagnóstico: O Botafogo precisa urgentemente de um goleiro titular imediato. A ideia não é apenas substituir os lesionados, mas trazer uma liderança que proteja o desenvolvimento de Linck e a promessa Cristhian Loor (19).
Defesa: Entre a Qualidade e o Departamento Médico
Zaga: O setor tem nomes de peso como Alexander Barboza (30) e o talentoso David Ricardo (23). No entanto, o cenário é de alerta: com apenas 4 nomes e 2 lesionados (incluindo Bastos, que luta contra a parte física), o setor está perigosamente exposto.
Laterais: Na direita, o clube vive seu melhor cenário com Vitinho (26) e Mateo Ponte (22). Na esquerda, porém, a experiência de Alex Telles (33) e Marçal (36) tem prazo de validade. O setor exige "sangue novo" para garantir a intensidade que o estilo de jogo moderno demanda.
O Meio-Campo: Superlotação e Dependência
A "Danilo-dependência": O volante Danilo (24) é o ativo mais valioso do clube (€ 22 mi), mas sua lesão abriu um buraco tático. Newton (25) cresce, mas ainda falta um cão de guarda titular para formar dupla com o veterano Allan (35).
Excesso de Criação: O setor de meias ofensivos está inchado. Enquanto Álvaro Montoro (18) é a joia da coroa, nomes como Savarino (29) e Santiago Rodríguez (26) entregam menos do que custam. A diretoria precisa de coragem para "limpar" o setor, gerar caixa e abrir espaço para a base.
O Ataque: A Necessidade de um "Dono"
Pontas: A direita está resolvida com Artur (27) e o jovem Nathan Fernandes (20). O problema mora na esquerda. Matheus Martins (22) é bom, mas funciona melhor como uma arma de rotação do que como o protagonista incontestável que o clube busca.
O Dilema do 9: O ciclo de Arthur Cabral (27) e Matheus Nascimento (21) parece ter chegado ao fim no Nilton Santos. Entre propostas e falta de rendimento, o Botafogo precisa de um novo "homem gol" de hierarquia para assumir a titularidade, mantendo Chris Ramos como o reserva útil que já provou ser.
2. Análise Tática: O Risco do Elenco Curto
A análise dos dados revela que o Botafogo tem um "Time A" competitivo, mas um "Time B" inexistente ou muito jovem.
Setor Status de Risco Necessidade Primária Goleiros Crítico Goleiro Titular (Pronto) Zaga Crítico 2 Zagueiros (Transição/Reserva) Laterais Médio Lateral Esquerdo (Promissor) Volantes Alto Primeiro Volante (Titular) Ataque Crítico Ponta Esquerda e Centroavante (Titulares), Centroavante (reserva) Consequência: Sem peças de reposição à altura, o Botafogo é obrigado a sobrecarregar seus titulares, o que explica o alto índice de lesões em 2025. O elenco atual não suporta três competições simultâneas.
3. Conclusão: O Mercado como Tábua de Salvação
Para 2026, o Botafogo precisa ser o "rei da eficiência" no mercado. Não se trata apenas de contratar, mas de realizar uma limpeza financeira (negociando Savarino, Arthur Cabral, Correa e Matheus Nascimento) para financiar as chegadas de peso.
Prioridades de Mercado (O "Pacote de 7"):
Goleiro de Hierarquia: Alguém para vestir a camisa 1 no primeiro jogo da temporada.
Zagueiros de Recomposição: Dois nomes para dar profundidade ao elenco e cobrir as ausências de Bastos e Kaio.
Primeiro Volante: Um jogador físico para liberar Danilo (quando voltar) para ser segundo volante.
Ponta Esquerda "Extra-Classe": Um titular para dar o desequilíbrio que faltou em 2025.
Novo Camisa 9: Um centroavante titular absoluto para liderar o projeto 2026.
Um 9 reserva e promissor: Um centroavante com potencial para ser o novo homem gol do botafogo com o tempo.
O Botafogo de 2026 tem talento espalhado pelo campo, mas falta o "alicerce" para sustentar as ambições da SAF. Se não agir rápido, o risco é ver o ano ser decidido no departamento médico antes mesmo de chegar às finais.