FutBR em Foco 12/01/2026 23:38

Botafogo 2026: Entre Lesões e Carências

O Glorioso enfrenta um desafio mais imediato e estrutural: um elenco curto, assolado por lesões e com carências críticas em setores vitais

Glauber Bertagna

Colunista Olheiro Certo

O Botafogo inicia 2026 em uma encruzilhada estratégica. Diferente de seu rival Flamengo, que sofre com o excesso de veteranos, o Glorioso enfrenta um desafio mais imediato e estrutural: um elenco curto, assolado por lesões e com carências críticas em setores vitais. Para o Alvinegro, 2026 não é apenas um ano de manutenção, mas de reconstrução cirúrgica para evitar que o potencial técnico seja sufocado pela fragilidade do plantel. E vale citar, com pouco dinheiro para investir, pois o time está com dívidas altas e até mesmo um transferban.


1. O Raio-X das Posições: Emergência e Renovação

A Crise sob as Traves

  • A Situação: O gol é hoje o maior ponto de interrogação. Com o experiente Neto (36) lesionado e sem previsão de retorno, a responsabilidade recaiu sobre Léo Linck (24). Embora promissor, Linck tem oscilado e demonstrado que a pressão de ser o "número 1" solitário pode ser precoce.

  • O Diagnóstico: O Botafogo precisa urgentemente de um goleiro titular imediato. A ideia não é apenas substituir os lesionados, mas trazer uma liderança que proteja o desenvolvimento de Linck e a promessa Cristhian Loor (19).


Defesa: Entre a Qualidade e o Departamento Médico

  • Zaga: O setor tem nomes de peso como Alexander Barboza (30) e o talentoso David Ricardo (23). No entanto, o cenário é de alerta: com apenas 4 nomes e 2 lesionados (incluindo Bastos, que luta contra a parte física), o setor está perigosamente exposto.


  • Laterais: Na direita, o clube vive seu melhor cenário com Vitinho (26) e Mateo Ponte (22). Na esquerda, porém, a experiência de Alex Telles (33) e Marçal (36) tem prazo de validade. O setor exige "sangue novo" para garantir a intensidade que o estilo de jogo moderno demanda.


O Meio-Campo: Superlotação e Dependência

  • A "Danilo-dependência": O volante Danilo (24) é o ativo mais valioso do clube (€ 22 mi), mas sua lesão abriu um buraco tático. Newton (25) cresce, mas ainda falta um cão de guarda titular para formar dupla com o veterano Allan (35).


  • Excesso de Criação: O setor de meias ofensivos está inchado. Enquanto Álvaro Montoro (18) é a joia da coroa, nomes como Savarino (29) e Santiago Rodríguez (26) entregam menos do que custam. A diretoria precisa de coragem para "limpar" o setor, gerar caixa e abrir espaço para a base.


O Ataque: A Necessidade de um "Dono"

  • Pontas: A direita está resolvida com Artur (27) e o jovem Nathan Fernandes (20). O problema mora na esquerda. Matheus Martins (22) é bom, mas funciona melhor como uma arma de rotação do que como o protagonista incontestável que o clube busca.


  • O Dilema do 9: O ciclo de Arthur Cabral (27) e Matheus Nascimento (21) parece ter chegado ao fim no Nilton Santos. Entre propostas e falta de rendimento, o Botafogo precisa de um novo "homem gol" de hierarquia para assumir a titularidade, mantendo Chris Ramos como o reserva útil que já provou ser.


    2. Análise Tática: O Risco do Elenco Curto

    A análise dos dados revela que o Botafogo tem um "Time A" competitivo, mas um "Time B" inexistente ou muito jovem.

    SetorStatus de RiscoNecessidade Primária
    GoleirosCríticoGoleiro Titular (Pronto)
    ZagaCrítico2 Zagueiros (Transição/Reserva)
    LateraisMédioLateral Esquerdo (Promissor)
    VolantesAltoPrimeiro Volante (Titular)
    AtaqueCríticoPonta Esquerda e Centroavante (Titulares), Centroavante (reserva)

    Consequência: Sem peças de reposição à altura, o Botafogo é obrigado a sobrecarregar seus titulares, o que explica o alto índice de lesões em 2025. O elenco atual não suporta três competições simultâneas.


    3. Conclusão: O Mercado como Tábua de Salvação

    Para 2026, o Botafogo precisa ser o "rei da eficiência" no mercado. Não se trata apenas de contratar, mas de realizar uma limpeza financeira (negociando Savarino, Arthur Cabral, Correa e Matheus Nascimento) para financiar as chegadas de peso.

    Prioridades de Mercado (O "Pacote de 7"):

    1. Goleiro de Hierarquia: Alguém para vestir a camisa 1 no primeiro jogo da temporada.

    2. Zagueiros de Recomposição: Dois nomes para dar profundidade ao elenco e cobrir as ausências de Bastos e Kaio.

    3. Primeiro Volante: Um jogador físico para liberar Danilo (quando voltar) para ser segundo volante.

    4. Ponta Esquerda "Extra-Classe": Um titular para dar o desequilíbrio que faltou em 2025.

    5. Novo Camisa 9: Um centroavante titular absoluto para liderar o projeto 2026.

      Um 9 reserva e promissor: Um centroavante com potencial para ser o novo homem gol do botafogo com o tempo.


    O Botafogo de 2026 tem talento espalhado pelo campo, mas falta o "alicerce" para sustentar as ambições da SAF. Se não agir rápido, o risco é ver o ano ser decidido no departamento médico antes mesmo de chegar às finais.

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