Fluminense 2026: O Dilema dos Ídolos
O Fluminense de 2026 vive o "Dilema dos Ídolos": como respeitar quem fez história enquanto o vigor físico cobra seu preço?
Glauber Bertagna
Colunista Olheiro Certo
O Fluminense de 2026 vive o "Dilema dos Ídolos": como respeitar quem fez história enquanto o vigor físico cobra seu preço? O Fluminense inicia 2026 em um momento de encruzilhada técnica e financeira. Embora ostente um elenco com nomes históricos, o Tricolor das Laranjeiras enfrenta a necessidade urgente de uma reestruturação profunda para voltar a brigar por títulos de elite. O desafio da diretoria e do técnico Luis Zubeldía é claro: oxigenar um grupo que sofre com o peso da idade e o alto custo de atletas que já não entregam o retorno esperado em campo. Para o Fluminense, 2026 não é apenas um ano de competições, mas o ano da transição obrigatória.
🏛️ Fluminense 2026: O Desafio da Transição Necessária
O Fluminense inicia 2026 como uma equipe competitiva, mas em um estágio perigoso de maturação. Com uma média de idade de 30,2 anos entre os titulares, o clube precisa de uma reestruturação que combine alívio na folha salarial com a chegada de jogadores que entreguem intensidade. O objetivo é transformar o "elenco caro" em um "elenco eficiente", encerrando ciclos de quem já não rende o esperado.
1. O Raio-X das Posições: Onde Mora o Perigo?
O Paredão Eterno e a Sucessão
A Situação: Fábio (45) desafia a biologia e continua como titular absoluto com atuações de alto nível. No entanto, a dependência de um atleta beirando os 50 anos é um risco institucional.
O Diagnóstico: O clube precisa decidir se confia na maturação de Marcelo Pitaluga (23) ou se busca um goleiro "pronto" para assumir a titularidade imediata no pós-Fábio. Vitor Eudes (27) permanece como uma opção segura, mas pouco testada.
Zaga: Estabilidade vs. Limpeza Salarial
O Conjunto: A chegada de Jemmes (25) traz o vigor necessário para o setor, formando uma dupla promissora com Juan Pablo Freytes (26). Jovens como Davi Schindt (21) começam a pedir passagem.
Ponto de Atenção: O excesso de veteranos caros e pouco utilizados. Igor Rabello (30) e Manoel (35) possuem custos elevados para o que entregam atualmente. A saída de ambos é vital para aliviar a folha salarial.
Laterais: O Salto de Patamar na Esquerda
Esquerda: A contratação de Guilherme Arana (28) é o movimento mais assertivo da temporada, resolvendo um problema histórico de intensidade. Com Renê (33) na reserva, o setor ganha experiência, tornando Gabriel Fuentes (28) negociável.
Direita: O ponto de maior fragilidade tática. Samuel Xavier (35) mantém a regularidade, mas o vigor físico já é limitado. Guga (27) não convenceu e o setor carece de um titular jovem com capacidade de ditar o ritmo do corredor.
Meio-Campo: Organização e Necessidade de Faxina
Os Pilares: Martinelli (24) é o cérebro e o motor do time, sendo um dos poucos ativos de alto valor e desempenho constante. Facundo Bernal (22) é a promessa que precisa de sequência.
A Criação: O setor mais crítico. Enquanto Luciano Acosta (31) e Hércules (25) trazem equilíbrio, nomes como Ganso (36), Lima (29) e David Terans (31) já não entregam o dinamismo exigido pelo futebol moderno. O ciclo do camisa 10, embora lendário, sinaliza o fim.
Ataque: A Crise do Camisa 9 e a Inoperância das Pontas
Pontas: O Excesso do "Mesmo": O lado esquerdo está saturado de jogadores caros e de baixa entrega. Soteldo (28) e Keno (36) oneram o clube sem o brilho de outrora. No lado direito, Kevin Serna (28) é o ponto de equilíbrio, mas o time precisa de "fome" no último terço.
O Fator Cano e a Solidão do Gol: Germán Cano (38) sofre com o declínio físico natural e o alto salário se tornou um fardo. John Kennedy (23) possui o talento, mas a instabilidade emocional preocupa. O Fluminense hoje carece de um centroavante titular absoluto que garanta 25+ gols na temporada.
2. Análise Tática: O Risco dos 30 Anos
Assim como seu rival, o Fluminense sofre com uma média de idade elevada no time base, o que compromete a intensidade defensiva em jogos de alta pressão.
Posição Jogador Idade Goleiro Fábio 45 Zagueiro Juan Pablo Freytes 26 Zagueiro Jemmes 25 Lat. Dir. Samuel Xavier 35 Lat. Esq. Guilherme Arana 28 Volante Martinelli 24 Volante Hércules 25 Meia Luciano Acosta 31 Ponta Canobbio 27 Ponta Kevin Serna 28 Atacante Cano 38 Média Time Base 30,18 3. Conclusão: O Caminho para as Melhorias
Para 2026, o Fluminense precisa de uma gestão de elenco austera. O foco não é apenas contratar, mas "limpar" para crescer. A prioridade é trocar o custo de ídolos em declínio por produtividade de atletas em ascensão.
Prioridades de Mercado:
Um Novo Camisa 9: Um centroavante de hierarquia, pronto para assumir a titularidade e o protagonismo deixado por Cano.
Oxigenação da Ponta Esquerda: Saída de Soteldo/Keno para a chegada de um ponta-esquerda agressivo e de drible curto.
Titular na Lateral Direita: Um jogador com vigor para suportar o modelo de jogo de Zubeldía.
Meias Ofensivos: Jogadores para substituir os que não estão mais rendendo são necessários.
Redução da Folha: Saída imediata de jogadores com baixo custo-benefício (Terans, Lima, Everaldo e Manoel).
O Fluminense de 2026 tem a técnica, mas precisa recuperar o fôlego e a saúde financeira para não se tornar um gigante estático.